Ativismo virtual

Uma vez, em uma lista de discussão, recebi o comentario de alguém reclamando sobre o tal “cyber ativismo”. Eis minha resposta :

Eu sou uma que faz ativistmo virtual, no conforto da minha casa e posso afirmar (sem basear esta informação pelo suposto “sabido” do senso comum, mas pelo feedback de dezenas de pessoas e pelo meu próprio percurso):

SIM, sempre existem pessoas que mudam velhos hábitos, que desenvolvem novas idéias, que saem da ignorância, do “comportamento normal” ou do “socialmente aceitável”, se colocando até em situações altamente desconfortáveis e sujeitas à repressão social e afins, apenas porque tiveram contato com algum tipo de midia instrutora (foto, video, cartaz, panfleto, reportagem, texto, etc).

Uma parte da famosa conscientização é mostrar o que se passa. Se alguns consideram isso uma “estratégia morbida”, como o autor do comentário, eu gostaria de saber mais o porquê. Essa maneira de passar a informacao (internet) é fácil e acessível no tempo de um click (o tempo de olhar e entender uma figura). Afinal ninguém quer “perder tempo”.

Altamente estratégico, funciona igual na publicidade e propaganda. Nós somos diariamente manipulados por pequenas figuras, logos e associações entre o que a imagem faz tu sentires e como tu gostarias de te sentir. Fotos chocantes fazem tu te sentires mal. Resultado: passas a vida à tentar evitá-las.

Exemplo prático da minha área: processo industrial da carne de frango – se a pessoa souber e VER, como ele é criado, tratado, morto e processado, se souber e ver a condição dos trabalhadores de uma indústria aviária, talvez ela nunca mais va financiar esse tipo de atividade.

No movimento do decrescimento econômico, um dos fatores de sucesso seria a tomada de consciência do poder da tomada de decisao do consumidor – o que tu vais comer ou não, comprar ou não, financiar ou não. À partir daí, uma pressão econômica radical devolveria o cargo de cidadão, ao que é hoje é considerado pelas políticas públicas, um mero consumidor.

 A segunda fase da conscientização (esse ensaio ainda é sobre o ativismo virtual) está relacionado às propostas. A contrapartida sempre deve vir junto com a aberração.

Eu vi aquela coisa horrível mas, o que eu posso fazer pra nao me sentir tão mal? Exemplo da venda de fitness – primeiro mostram uma pessoa gorda, infeliz, depois mostram a BBBunduda usando seja la qual for o produto. “Seus problemas acabaram!”…e rapidinho as vendas crescem.

Essas estratégias são baixas mas eu uso, sim! Oras, 3 anos de marketing, 3 anos em uma das melhores universidades de manipulaçao do Brasil (ESAG – Escola Superior de Administração e Gerência) não poderiam servir apenas para que eu criasse consciência que não era aquilo que eu queria para a minha vida.

Essas armas nao são do inimigo, são apenas armas. E como qualquer outra, pode ser usada pelo vilão ou pelo mocinho. Essa é uma luta e precisa de armas. Assim que a paz for instaurada, mudamos os métodos.

Aí vem a questão: mas todo esse ativismo não chega no pobre povo e são eles a maioria!  Eu digo que não são eles que consomem feito loucos (apesar do desejo de ser igual àquele do carro importado). Digo que não são eles tomando a decisão de que produtos usar na agricultura, na indústria. Não são eles que dominam nosso querido Brasil e não são os famintos que vão mudar o paradigma econômico. São as pessoas que se informam, são as que tem acesso à educação, à saúde, as pessoas que tem duas refeições por dia e que podem ter uma boa noite de sono. Estas sim, se atinge pela internet e estas sim, são as que tem que se ligar que elas são a causa, mas também podem ser a solução.

Por essas e outras eu ataco pela web! Eu sou ecologista, mas vivo nesse sistema econômico e nesse modelo de desenvolvimento dominantes. Nunca existe apenas uma melhor solução e muitas vezes as soluções apresentadas não podem ser aplicadas imediatamente – ESTA TUDO BEM! Mas se querem uma sugestão, na sabotagem diária, na subversão de um aqui e outro ali, com imagens, com discursos, com estudos, com trabalho e com muito amor – eu acredito que existe um caminho!

Eu acredito em mudança! E agora espero mudar muitas outras coisas. E que venham as piadinhas, e que venham as críticas, e que venham aqueles que não sonham. Como diz um velho amigo, eu ainda prefiro morrer de pé do que viver ajoelhado”.

Um comentário sobre “Ativismo virtual

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