Utopias na Prática II

11 de dezembro, 2012

A oficina Utopias na Prática II foi organizada pela WakeUp Colab dando continuidade à apresentação realizada durante o Bazar de Trocas, na Bicicletaria Cultural, em Curitiba. Felipe Feliz, da Adega Boulevard, gentilmente nos acolheu no seu jardim para uma noite de discussões ao redor de temas relacionados ao Decrescimento.

O papo foi permeado de respeito, mesmo quando a discussão acordou espíritos mais apaixonados. Éramos uma dúzia de pessoas, sentadas em roda, eventualmente assistidos por imagens e pequenos textos no projetados em um lençol pendurado nos galhos de umas árvores.

Começamos com uma pequena revisão da apresentação de domingo, resgatando a complexidade das relações dos diversos sistemas que regem nossa vida em sociedade. Relembramos os principais fatores que demonstram a crise sistêmica atual, que envolve a economia, a ecologia, a cultura e a política.

Entre as unanimidades, como a luta do homem para sobreviver, seus medos e angustias em relação ao futuro, filosofamos sobre se a causa dos problemas relatados era o comportamento humano, e se a personalidade da nossa espécie estaria apta a abraçar as utopias contemporâneas, ou não.

A direção da conversa mudava um pouco a cada novo argumento. Fomos da era tecnológica aos grupos primitivistas, das necessidades humanas às necessidades do mercado. Tentamos, através de exemplos práticos, verificar quais objetos seriam supérfluos, quais realmente auxiliam ou quais seriam desejáveis, para enfim concluir que muitos dos itens, senão a maioria, estão fadados à obsolescência programada e apresentam ciclos de vida cada vez menores. Pensamos também, se o problema não seria uma questão de escala ou uma questão institucional (bancos, governos, autarquias internacionais).

Ao começarmos a visualizar as ações práticas, percebi sentimentos de grande impotência traduzidos na forma de descrença nas possibilidades existentes, desconforto ou mesmo rejeição do que costumo chamar de proatividade revolucionária.

A maneira como somos engessados em determinadas condutas e em determinadas formas de pensar é definitivamente um dos principais obstáculos para dar o passo inicial em direção às nossas utopias. O resultado disso é uma postura negativa e de certa forma conformista, que acha refugio na difícil realidade (a condição humana, como nos bem explica Hannah Arendt).

Repito sempre que “utopia” nada mais é do que “o lugar que não existe” – e que este, pode ser o futuro. A construção da utopia passa então, inevitavelmente, pelo dia de hoje. Os agentes de mudança vivem em tempos futuros e pensam em nível mundial, entretanto, primordialmente, cultivam sua positividade e paz de espirito exercitando diariamente seu poder nas ações mais cotidianas, no exato local onde se encontram, no exato momento em que vivem.

Foi pensando assim que encerramos, à meia noite passada, com uma última roda de palavras. O exercício foi traçar ações que poderiam ser realizadas no dia seguinte, visualizar as realizações possíveis num prazo de um ano e por fim, imaginar em que estágio poderíamos estar em 5 anos.

Eis algumas das utopias práticas que nosso grupo criou, ao redor da fogueira:

Amanhã…

…vou procurar terrenos inutilizados no meu bairro para verificar a possibilidade de criar um jardim coletivo …vou conversar com meus vizinhos, meus parceiros, minha família, meu “microambiente” sobre essas ideias …vou fazer uma reflexão individual, uma auto-imersão …vou aplicar minhas habilidades para criar um panfleto para o movimento da Bicicletada …vou verificar quais os caminhos e os processos necessários para me levar a conhecer outras possibilidades e outras visões de mundo …vou continuar meu trabalho ajudando pessoas para o desenvolvimento de um agricultura local e ecológica …vou ajudar alguém que já esteja envolvido em um projeto no qual acredito, que seja local, artesanal, ecológico, que faça a diferença …vou aproveitar o conhecimento que me esta disponível através da minha família e montar um jardim de ervas …vou escrever um roteiro para documentar, registrar e promover alternativas …vou voluntariamente redistribuir recursos, pagando o 13° da minha diarista …vou terminar um artigo cientifico sobre alternativas praticas e tentar publicá-lo em uma revista para disseminar em outros meios o que se faz hoje marginalmente

Em um ano…

…quero dar continuidade aos projetos que estiverem em andamento …quero fazer valer e fazer dar certo! …quero ter mais conhecimento, aprender mais …quero poder ter começado a contribuir para mudanças locais …quero participar na construção de um sitio/ espaço para desenvolver coletivamente, estreitar laços e me aprofundar …quero estar mais preparado para as mudanças, traçar as estratégias para as oportunidades que surgirão inevitavelmente, com a COPA de 2014 …quero construir minha casa com conhecimentos tradicionais …quero promover formas de encontros e eventos que façam a diferença …quero viajar, conhecer, vivenciar o que acontece e como fazer as mudanças desejadas …quero ter meu jardim funcionando melhor

Em 5 anos…

…poderei ampliar os projetos locais, para um nível regional …poderei viver do que amo …poderei ter mudado 50 corações …poderei ter as bagagens (conhecimento) adquiridos para o próximo passo …poderei estar morando e vivendo em um lugar onde eu possa aplicar localmente as alternativas e poderei ainda participar globalmente da mudança …poderei influenciar um grupo grande à consumir responsavelmente …poderei apoiar outros movimentos

As próximas oficinas de Utopias Práticas ocorrerão nos dias 29, 30, 31/12 e 01/01, no Festival Psicodalia, em Rio Negrinho, SC ( http://www.psicodalia.mus.br/atracao/dessa-pruma-muito-melhor/ )

Agradeço muito a participação dessa galera fera de Curitiba e deixo um grande abraço apertado com o desejo de muita energia para que cada um realmente vá para aquilo que ame!

2013 tá ai! E você, o que fez HOJE para preparar as mudanças que quer ver amanhã???

O que você acha disso? Vamos conversar!

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