Nova Oikos na Europa

Boletim super atrasado da tournée Nova Oikos pela Europa (16/08 – 28/08/2014): ocupas em Amsterdam, Gaudi, Salvador Dali, “O Belo, o Efêmero e o Supérfluo”

Fiets Parkeren @Tortuga Galerie - Bicicletas atras da vitrine da Galeria Tortuga (nossa habitaçao coletiva em Amsterdam)

Fiets Parkeren @Tortuga Gallerie – Bicicletas atras da vitrine da Galeria Tortuga (habitação coletiva na Confuciusplein em Amsterdam)

No dia seguinte do fim do curso Manejo Holistico de Propriedades com Jairo Restrepo (www.lamierdadevaca.com), em 15 de agosto 2014, parti para Amsterdam onde morei entre 2010 e 2011. Essa é uma habitação coletiva, originaria de um squatt (ocupação) “sem fins revolucionários”. Na Holanda é comum que casas ou prédios desocupados se tornem rapidamente alvo de Kraaken (ocupas) simplesmente para habitação. Em outubro de 2010 acompanhamos os protestos contra a lei anti-kraak que baniu da legalidade as ocupações, até então permitidas pela lei. Chegando à casa, soubemos que os andares vizinhos haviam sido ocupados. Nosso prédio esta condenado a ser destruído para dar lugar à residenciais modernos já faz algum tempo. Enquanto isso, vai sendo ocupado e habitado. No nosso caso, temos um acordo com a empresa proprietária do local, sem perigo de despejo. Já para os novos vizinhos, a cena muda. Com a lei anti-kraak em vigor, os ocupas são julgados não mais na corte civil, mas na criminal – o que trouxe um clima tenso até na nossa casa…

Parti de Amsterdam para Barcelona para estudar um pouco a obra de Gaudi e em seguida para Figueres, onde encontrei o mestre dos magos, Salvador Dali. Em Barcelona a principal reflexão foi sobre a efemeridade da beleza do ser vivo e a beleza feita para durar, na arquitetura. A Europa sempre me remete ao tempo passado. Tudo tem muita historia por aqui e vemos isso notadamente através das construções e talvez, de algumas arvores (como os carvalhos tricentenários em Crocus Permacultura, na França).

casa-batllo-by-gaudi

Casa Battlo – Gaudi, BCN

O fundamental dessa reflexão foi pensar sobre a presença do belo, se é desejável porque acaricia a alma quando olhamos ou se é aquilo que se esconde atrás de cada coisa: como uma musica suave em oposição à uma ruidosa, onde a primeira, best-seller, passepartout, pode ser engolida por uma massa mais ou menos homogênea que vai literalmente comprar a ideia ou talvez uma musica ruidosa que carrega justamente o desconforto daquilo que não é amplamente aceito e apreciado – e la reside a beleza do bizarro.

Os conceitos que seguem o “belo” é o efêmero e o supérfluo. Bom, eu não consegui deixar de reter a beleza juvenil e perfeita da irmã do amigo que me acolheu em Barcelona: sempre bem maquiada, portando uma pele de pêssego, alvíssima, com uma cabeleira ruiva combinando com os lábios vermelho sangue. Como uma obra de arte que será vencida pela oxidação das células, enrugando e murchando até a morte terminar o trabalho. Bem diferente do que aconteceu com Gala (a mulher do Dali) nas obras que ele fez dela. Ou com a Sagrada Família ou a casa Battlo – obras de Gaudi. Seria belo o rosto jovem ou a juventude em si, considerando que ela nao escapara ao tempo? Ou seria superfluo valorizar tanto algo que é efêmero? Ou justamente por sê-lo, deveria ser alvo de zelo especial?

Toda essa historia não me sai da mente pois justamente aquilo que proponho na Nova Oikos nem sempre é o mais bonito para os olhos, nem sempre esta repleto dessa beleza de fácil acesso. Não é o objetivo ter sempre um reboco liso, acamurçado, linear… mas encontrar nas fissuras e grânulos aparentes a composição única que forma aquele solo especifico que usamos.

Assim, todos os estranhos, bizarros, irregulares, incomuns, marginais, desqualificados, desajustados, ímpares… poderiam finalmente encontrar um terreno sem julgamentos superficiais. Esse é um dos desafio que entra para nosso planejamento de 2015.

Antena da Morte - Nova OIkos

Antena da Morte – Nova OIkos

Aproveito para saudar nossa Antena da Morte – desajeitada, criada e construída em cima de mil conceitos e percepções – do esquisito ao autêntico, nasceu no carinho e evoluiu para agressão, para ancorar no berço da Nova Oikos com muito amor, através de comportamentos muito mais atentos ao fim que nos propomos. Ela representa assim, muito mais do que arte, mas a morte da Velha Oikos (no sentido mais metafórico – da velha sociedade ou da velha maneira de ser e fazer) e abre as asas para a Nova, que em breve renascera.

Um comentário em “Nova Oikos na Europa

  1. Pingback: Retrospectiva 2012 – 2015 | Nova Oikos

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