Retrospectiva 2012 – 2015

Desde 2013, primeiro ano efetivo de ações da Nova Oikos, o PDC (Curso Certificado de Design em Permacultura) tem marcado o fim dos ciclos do projeto. É claro o amadurecimento e o fortalecimento dos processos, assim como a definição daquilo que queremos e como chegar lá! Este foi o III PDC na Nova Oikos e achei justo fazer uma retrospectiva da jovem historia dessa iniciativa.

Em 2012 o projeto Nova Oikos deu atenção significativa para a estruturação do movimento do Decrescimento no Brasil. Participamos com o grupo do Decrescimento Brasil da Rio+20 com tenda na Cupula dos Povos, apresentei artigos na Conferência Internacional de Economia Ecologica e finalmente lançamos oficialmente a Rede Brasileira pelo Decrescimento em um evento organizado pela Nova Oikos e que contou com a participação de John Croft (Dragon Dreaming) Philippe Léna (Instituto de Pesquisa sobre Desenvolvimento IRD-França), Federico Demaria e Marta Conde (Research & Degrowth), Rafael Reinher (Coolméia), Enrique Ortega (Unicamp), entre outros queridos colegas do movimento!

Ainda em 2012, um pouco mais na trajetória pessoal, participei das Bicicletadas de Florianópolis, fui voluntária no Encontro da Rede Ecovida (produtores orgânicos) e dei pequenas palestras sobre Decrescimento, como por exemplo no mercado de trocas da WakeUp Colab, que aconteceu na Bicicletaria Cultural em Curitiba. Voltei para fechar meus ciclos pessoais na Europa e participar novamente da Conferência Internacional sobre o Decrescimento em Veneza, aprensentando meu último artigo em formato científico.

2013 foi mais intenso, bem mais intenso.

Comecei com a arquiteta Cecilia Prompt, num galpão cheio de escombros, um primeiro curso de bioconstrução no sítio, em fevereiro. No fim de abril já realizamos o segundo, e foi em abril também que me tornei parceira da Dalva Schuch. Primeiro foi como apoio na organização do curso do Eng Agr Jairo Restrepo, na Univali. E em seguida já organizando uma oficina de cromatografia no sitio. Nessa época tivemos dois voluntários durante um mês: um aprendizado mutuo muito forte! Montamos banheiros secos no Festival Fora da Forma em Floripa e começamos a organizar tudo para o I PDC, com o Jorge e a Suzana, da Estação de Pemacultura Yvy Porã. Um pouco antes do PDC conheci o Scharf em um evento de agrofloresta organizado pela Cooperafloresta na Barra do Turvo. Ele se voluntariou para o PDC e depois me levou p/ Curitiba para uma primeira etapa de Dragon Dreaming com a Arquitetura da Terra (AT). Ali escrevi o post “PDC Nova Oikos e o sonho do Dragão”. Julho veio correndo com o curso de bambu que deu um dos voluntários. Isso tudo foi seguido de uma oficina de gestão de projetos com nosso grupo de ação de Camboriu.

Em julho fui à Minas, para o Bioconstruix, dar uma força com a equipe da AT. Tive experiências de outro mundo nesse lugar, foi bom mas foi inTENSO. Em agosto, na sequencia, organizei com a já parceira, a Eng Agr Dalva Schuch, as duas oficinas de recuperação de encostas degradadas e então lançamos a de Jardins comestíveis em uma área que ja era possivel plantar alguma coisinha na encosta. No meio tempo tivemos o Leonardo Marques aqui, dando o curso introdutório de Dragon Dreaming, e também iniciei a tradução do livro “um projeto de Decrescimento”.

Finalizamos o ano com o emocionante Novembro Orgânico, novamente com o Jairo Restrepo e uma deliciosa vivencia de Ervas aromáticas e sabonetes!

2014 começou com Permacultura na Prática, mutirão, trabalho, trabalho!!! Dia 18 de março escrevi o posto “Retorno” honrando todas as pessoas que mês a mês retornavam aqui, dando força para o projeto. O tempo passa, parece que nao fazemos nada… mas na verdade, trabalho de formiguinha é assim mesmo. E quando vemos temos um arsenal de pequenas histórias, com muitras pessoas que vao e vem, no tempo certo!

Minha “Reflexão no Dia da Permacultura” em maio de 2014, continua atual. E já estamos organizando a próxima intervenção urbana para o Dia da Perma deste ano, que será dia 3 de maio!

Enfim, veio o II PDC em junho… seguido de mais permacultura na prática, muito trabalho e pouco tempo… eu ja estava organizando a minha ida à Europa para reciclagem, cursos, conferências, publicações… mas ainda dei uma corridinha até Minas, novamente no Ecoetrix, onde colaborei no PDC do Marcos Ninguém e Peter Webb. Foi a ocasião de firmar parceria com os irmãos Marcos e Jappa. Logo antes de partir, (realmente, nas duas semanas anteriores) dei uma parte do PDC com eles em Viamão no RS e organizamos mais um curso internacional de agricultura orgânica com o Jairo, O Jairo partiu quarta à noite e eu parti na quinta de manha. Sim, assim!

UFA, 3 meses na estrada. Essa caminhada pode ser acompanhados nos dois posts Nova Oikos na Europa e Europa 2014: Movimento pelo Decrescimento. Na volta dessa montanha russa, nosso queridinho Orlandito já estava chegando na Nova Oikos, e mandou muito bem no curso que bolamos “Arquitetura Apropriada”, em novembro. Foi quando nos conectamos ao grupo de voluntários que participou deste evento e rapidamente nos tornamos “sócios”. A velha história do sonho de uma noite de verão.. quando todos se encontram e vivem momentos que levarão para o resto da vida. Em um mês cá estávamos novamente mandando ver, com um time ainda maior, para a vivência Zona Zero & Zona Um, que durou 10 dias, no janeiro mais quente do universo. Outra experiência muito enriquecedora com o Orlando e o timECO. Foi em novembro, através de trocas com a designer Leilen Monti, que mudamos a logo da Nova Oikos para esta lindeza que temos hoje. Foi-se a logo feita no gimp e veio algo mais claro. Mais Clara Noite de Sol…

Carnaval 2015, mais ação, mais trabalho, mais sauna ao ar livre! Dessa vez com o desafio da BET terminado, tudo parecia mais fácil. E foi! Algumas parcerias no time estavam se fortalecendo e outras, aos poucos, liberando elétrons.. protons e neutrons até chegar o fim do ciclo, neste III PDC.

Momento de esclarecimentos para mim e este filho que carrego: o projeto Nova Oikos. O bebê ainda engatinha, e assim como as mudinhas que crescem, precisam de atenção e amor diários. Muita gente passa aqui pelo sítio. Hoje estamos com uma média de quase 300 visitas por ano, mas graças a JaH muitas figurinhas repetidas, voltando, voltando, voltando… até um dia termos a estrutura apropriada para que parem.

Para que isso ocorra, é preciso lembrar constantemente os objetivos do projeto Nova Oikos:
“vivenciar e experimentar as soluçöes ecologicas reunidas na Permacultura.  Através dos princípios éticos, técnicas ecológicas  pretendemos disseminar a certeza de que uma nova sociedade, uma “nova casa”, pode ser criada.”
E como todo projeto Dragon Dreaming, mesmo que ainda nao seja coletivo, já vai se estabelecendo com objetivos claros: nos desenvolver pessoalmente (habilidades, saberes, competências, personalidade), criar uma comunidade de AÇÃO intencionada, voltada para a regeneração da terra (no chao cedido por um proprietario de terra, seja ele qual for) e da nossa organização social (macro – novas formas de satisfazer nossas necessidades materiais (economia) e novas formas de nos relacionarmos e nos organizarmos (na esfera ativista e nao pessoal).

Eu concebi o projeto Nova Oikos para que ele se posicionasse com alguns principios: o principio da ação intencionada – “eu” (seja la quem for) nao faço por mim, faço pela intenção de mostrar que é possivel. Nesse caminho eu me realizo, me desenvolvo, vivo a vida que amo. Se eu nao me realizo nesse caminho eu devo buscar outro. Simples assim.

Outro ponto importante, é que o projeto Nova Oikos nao tem fins economicos. Nao tem CNPJ ou horário de funcionamento. Nao gera empregos (ainda). Mas gera muito trabalho, no sentido de atividade. Então, se conseguimos gerar excedentes suficientes para alcançar as necessidades pessoais, tanto melhor. Vamos nos esforçar para isso também. E vamos sempre quantificar essas necessidades. Excedentes em dinheiro para fins pessoais tem limites, de outra forma seríamos apenas mais uma empresa focada na financeirização das nossas atividades. O projeto tampouco é uma entidade de caridade atingindo primeiro os mais necessitados. Senão doariamos diretamente àqueles que não tem nada, na rua.

Hoje chego à conclusao que os excedentes devem ser atribuidos por horas trabalhadas em prol do projeto. Se tenho mais necessidaeds, devo dedicar mais tempo para cobrir meus custos que são pessoais – esse também é um chamado para focar no ambito local, por exemplo, e incentivar as iniciativas economicas pessoais (pequenas produções artesanais e serviços para levantar fundos). Isso cada um pode fazer e eventualmente estamos aqui para suportar!
Assim, se as atividades do projeto nao geram excedentes o suficiente para cobrir os custos e necessidades pessoais, isso nao é culpa de ninguém e todos ficarão tranquilos pois o objetivo da ação intencionada é o principal objetivo do projeto e todos os outros sao secundários.
Se sinto que nao posso, se sinto que nao quero, se sinto diferente, busco um caminho diferente e todos os outros vão compreender. Nao podemos perder tempo julgando se esta certo ou errado o posicionamento, sentimento ou necessidade dos parceiros.
E é com essa reflexão, principalmente organizacional, que fecho o ciclo do segundo ano de atividades da Nova Oikos. Estou radiante com as perspectivas e vejo como o nosso trabalho contribui para a formação dessa rede de suporte, que faz pessoas que estavam à deriva, ancorarem-se, firmarem o pé na terra e dizerem que também podem. Isso tudo é lindo e deixa a certeza, mais uma vez, de que esse é o caminho da transição, dessa. pra uma melhor 😉
AHOOOOO

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